O espaço em que estamos ensaiando, no Colégio Giordano Bruno, tem um palco Que é fechado por duas paredes de alvenaria e uma janela de vidro. Este espaço nos remeteu a idéia do apartamento em que Ferreira Gullar habitou em seu exílio em Buenos Aires, tem uma foto em seu site oficial.
Nos ensaios anteriores, os atores utilizaram as paredes e a janela como elementos para composição de cenas nos improvisos que realizaram. Daí surgiu a ideia de trazer a técnica da sombra chinesa para este trabalho. Depois de dois ensaios de mesa em que trabalhamos o texto e fizemos reflexões a partir dos elementos coletados nos primeiros ensaios, realizamos os experimentos com sombras registrados nos vídeos postados.
O que nos interessava naquele momento era verificar a possibilidade de aplicar a sombra como um elemento plástico que, simbolicamente, pudesse dialogar com a sensação de lembrança que temos. Como sombras do passado...
O exercício gravado teve como sugestão para o elenco apenas para que deixassem seus corpos reagirem aos estímulos sonoros que pudessem perceber: o ruído da cidade, com um asfalto gritando pneus e engrenagens ao lado, o som do violão, a voz dos atores que liam partes do poema.
Os resultados dos exercícios nos animaram a continuar com esta pesquisa. Recolhemos imagens que poderão ser utilizadas no espetáculo e surgiram idéias de cenografia que levam em conta a utilização das sombras. Notamos que o efeito lúdico provocado pelas sombras nos aproximava ainda mais da linguagem que o grupo vem desenvolvendo desde sua origem e que tem por base o teatro de animação. Em relação ao trabalho do ator, notamos que a sombra em si é um estimulo muito interessante que provoca uma desenvoltura no corpo que também interessa para o que pretendemos para o espetáculo.
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