26 de nov. de 2010

Um corpo para dois

O trabalho de preparação corporal está sendo conduzido por Regina Arruda e se desenvolvendo com a proposta de criar uma dramaturgia a partir de um personagem, a que chamamos de “Poeta”, mas desdobrando-o em dois atores.
A proposta de preparação corporal é trabalhar com dois eixos de conduta. O primeiro eixo, chamado de preparação física, tem por objetivo dar resistência e confiança a cada um dos atores, estabelecendo, por meio de exercícios uma rotina de aquecimento e preparação física, que inclui a voz. O segundo eixo, chamado pesquisa corporal é orientado a partir do texto. As propostas, neste caso, são elaboradas junto com a direção e procuram atender às necessidades de pesquisas para as cenas que estão sendo criadas e obedecem aos critérios estabelecidos pela dramaturgia proposta. Este trabalho tem sido facilitado pelo fato de a Regina estar acumulado a função de assistente de direção também. Daí que a dramaturgia, em boa parte, é construída pelo trabalho corporal.
A partir disso, procuramos trabalhar com dois modos de expressão do corpo, notadamente os modos apresentados pelos atores Paulo e Wagner no inicio do processo, a saber: o Wagner apresenta um repertório de movimentos mais ligados ao cotidiano, enquanto o Paulo, movimentos mais, digamos, “expressionistas”. Porém, segundo a proposta de desdobramento, trata-se de um personagem apenas, então de início, o trabalho corporal está focado na procura de um corpo que seja comum aos dois atores. Portanto, em principio, trabalhamos com três eixos de pesquisas corporais: um corpo cotidiano, um corpo expressionista e um corpo comum aos dois.
As ações cotidianas propostas pelo Wagner, de certo modo, se contrapõem às ações apresentadas por Paulo. O poeta em seu cotidiano se relaciona com seu espaço imediato: o apartamento no exílio, onde tem uma rotina, ou tentar ter. As propostas de ações cotidianas passaram a ter como referência a vida do poeta neste espaço, que não é o seu, onde ele se sente acuado, com medo e sem esperança. Os dias e as noites se sucedem, muitos deles sem sair de casa. A rotina dos afazeres domésticos como forma de manter a própria sanidade. Lá fora um país que não é o seu, também passa por distúrbios políticos, causando mais apreensão, o exílio é como estar preso pelo lado de fora, sua casa torna-se então uma cela. Porém estas ações cotidianas têm que trazer de alguma forma sínteses que se relacionam com o que se diz no poema.
As ações como propostas pelo Paulo se apresentam mais subjetivas em relação ao conteúdo que procuram expressar, por isso a chamamos de ações expressionistas. O repertório do Paulo traz referências aos estudos que ele realizou como aluno na Escola Nova Dança, companhia de dança contemporânea de São Paulo. O conceito de dança contemporânea veio ajudar a compor a concepção dos espaços de tempo que o espetáculo adota e o poema apresenta: o passado, o presente e como eles se misturam na poética do artista.  
O tempo presente é visto sob dois aspectos: o cotidiano do exilado que tem como pano de fundo a situação política em que vive e que determinam seu dia-a-dia no apartamento, em outro país, em outra cidade. Por outro lado, este dia-a-dia do exilado se confunde com o dia-a-dia do poeta, que se vê tomado por um poema que insiste em ser escrito. O “estado poético” impõe ao poeta um trabalho que o domina e afeta a sua rotina, aqui temos a imagem do desdobramento do poeta: o poeta exilado que lida a rotina da casa e o poeta memória, que viaja pelo tempo e espaços, sopra os versos ao ouvido do escritor.
O passado é trazido por meio das lembranças do próprio poeta. Sua vida é revisitada, as memórias, no entanto, não conduzem o poema para uma autobiografia apenas.  O poeta utiliza destas lembranças para tecer reflexões que retratam a sua situação imediata, ou seja, sua condição se torna como um pano de fundo para o poema. No caso da transposição para o teatro é a partir desta informação que estamos concebendo a dramaturgia do espetáculo.
Passado e presente se juntam sob a ótica critica do poeta exilado. Dois corpos sintetizados em uma pessoa, dois atores, com características diferenciadas que se juntam para criar esta personagem. Um corpo para as imagens do passado, um corpo para o cotidiano do presente e uma síntese dos dois. O trabalho do Paulo contagiando o trabalho do Wagner e o contrário também. Têm sido enriquecedoras as possibilidades que esta proposta tem revelado.


W.A.



16 de nov. de 2010

Silêncio

Hoje no ensaio
experimentamos
                     o silêncio
este, que no espaço cotidiano, permeia a solidão
                      o silêncio
que há entre
                       cada
                                    frase.

                     O silêncio gesta a palavra
                que antecede o poema
                    e o silêncio vem depois do verso
sub texto e reverso
                         silêncio sem o qual
não há vestígio da poesia.

                         Silêncio
quando os homens param
quando os homens rezam
quando os homens tem medo
a agonia sai de seus porões,
e demora na ante-sala, faz espera.

                       Silêncio
do homem no fio do tempo do destino

                       Silêncio
quando alguém morre.
Já quando alguém nasce
     abre a boca e chora!

Paulo Farah André

10 de out. de 2010

Ensaios de mesa

Os ensaios do mês de outubro estão sendo praticamente dedicados aos estudos do texto. O trabalho em cima do poema é o que poderíamos chamar de ensaio de mesa. Esta prática, que consiste basicamente em sentar-se com o elenco e destrinchar o texto, é muito usual no processo criativo de um espetáculo. Alguns diretores dizem montar o espetáculo, já ai, na mesa, só levantando o texto depois nos ensaios de palco. Em termos aritméticos, digamos 2/3 de mesa e 1/3 de palco. Esta forma de trabalhar não era a utilizada pelo Teatro Ventoforte que trabalha quase totalmente a partir dos experimentos de palco, referência de origem do nosso grupo, que adotara a pesquisa de palco e a construção do texto a partir dos experimentos do ator como forma de montagem, deixando em segundo plano o formalismo do ensaio de mesa. Mesmo quando, às vezes nos reunimos para ler um texto em de ensaio de mesa procuramos manter esta ligação com o palco e utilizamos a música e as danças para manterem ativos os corpos dos atores.
Os ensaios de mesa do Poema sujo estão exigindo maior atenção na leitura do texto. As dificuldades de transposição do gênero lírico para o dramático já aparecem e decidimos trabalhar alternando palco e mesa. As técnicas usualmente aplicadas no estudo de um texto teatral neste caso não se aplicam totalmente, o poema não apresenta as características dramáticas que um texto teatral teria por base em sua construção. Indicamos como caminho de pesquisa para uma condução dramatúrgica, o poeta como personagem que conduzirá o espetáculo e seu “alter-ego”, um duplo, ou seja, o desdobramento dele.
A pessoa lírica, que seria o narrador da história, o eu poético se impõe como o sujeito do enredo, porém ao nos contar sua história, provinda de memórias, ele se torna um narrador. Passado e presente se misturam e se diferenciam na tessitura do poema. A dualidade está presente na obra de Ferreira Gullar, como no poema Traduzir-se (postado no blog).
Este desdobramento do personagem nos dá margem para criamos um jogo entre os tempos que o poema vai apresentando: no presente o poeta está exilado em Buenos Ayres, em um apartamento emprestado por um amigo; a voz do passado o leva a sua infância e adolescência, à sua cidade natal, que surge como um ícone que representa sua situação em relação ao seu país. A construção deste personagem, a que chamamos poeta, será a base condutora da dramaturgia do espetáculo.
O acompanhamento da música nestes ensaios é que esta chamando a atenção. Porém o trabalho dos dois músicos às vezes necessita que paremos somente na música. Percebemos que podemos fazer isso durante os ensaios de mesa e a experimentação musical tem ajudado a compreender a rítmica do poema. Deste processo duas composições foram criadas durante as leituras e as experimentações são constantes, de modo que quando vamos para o palco já temos boas sugestões.
Os ensaios de mesa ficaram mais alegres e descontraídos, embora atentos na leitura do texto, em sua sintaxe. A presença dos músicos na leitura acaba por revelar a musicalidade do poeta e isso auxilia o entendimento do ator ao dizer o texto, mesmo porque, temos um elenco musical, pois todos tocam.

Wil

6 de out. de 2010

Experimento com sombras.

O espaço em que estamos ensaiando, no Colégio Giordano Bruno, tem um palco Que é fechado por duas paredes de alvenaria e uma janela de vidro. Este espaço nos remeteu a idéia do apartamento em que Ferreira Gullar habitou em seu exílio em Buenos Aires, tem uma foto em seu site oficial.
Nos ensaios anteriores, os atores utilizaram as paredes e a janela como elementos para composição de cenas nos improvisos que realizaram. Daí surgiu a ideia de trazer a técnica da sombra chinesa para este trabalho. Depois de dois ensaios de mesa em que trabalhamos o texto e fizemos reflexões a partir dos elementos coletados nos primeiros ensaios, realizamos os experimentos com sombras registrados nos vídeos postados.
O que nos interessava naquele momento era verificar a possibilidade de aplicar a sombra como um elemento plástico que, simbolicamente, pudesse dialogar com a sensação de lembrança que temos. Como sombras do passado...
O exercício gravado teve como sugestão para o elenco apenas para que deixassem seus corpos reagirem aos estímulos sonoros que pudessem perceber: o ruído da cidade, com um asfalto gritando pneus e engrenagens ao lado, o som do violão, a voz dos atores que liam partes do poema.
Os resultados dos exercícios nos animaram a continuar com esta pesquisa. Recolhemos imagens que poderão ser utilizadas no espetáculo e surgiram idéias de cenografia que levam em conta a utilização das sombras. Notamos que o efeito lúdico provocado pelas sombras nos aproximava ainda mais da linguagem que o grupo vem desenvolvendo desde sua origem e que tem por base o teatro de animação. Em relação ao trabalho do ator, notamos que a sombra em si é um estimulo muito interessante que provoca uma desenvoltura no corpo que também interessa para o que pretendemos para o espetáculo.

1 de out. de 2010

Videos postados

Veja na página Videoregistros três Experimentos com Sombras.
Faça seu comentário sobre as imagens. São os primeiros registros em vídeo das pesquisas que estão sendo realizadas nos ensaios para a montagem do espetáculo.

24 de set. de 2010

Naquele ano de 1964


Naquele ano de 1964, com a ditadura recém instalada pelo senhor Castelo Branco e também com outros seus colegas no comando, que se mostraram de uma truculência ainda maior, como  Costa e Silva, Geisel e Médici, o pior deles .Esses senhores sérios que eram inimigos da liberdade de expressão e que davam segurança a liga das senhoras católicas, que andavam em passeata pelas ruas, indignadas e amedrontadas pela perspectiva do avanço do comunismo, esse monstro vermelho que os russos , Cuba e a China adotaram. Essas senhoras viam com estranheza seus queridos filhos andarem despenteados, ouvindo rock, as meninas tomando pílula e transando, assim como seus maridos, pais austeros, sérios e machos, que de fato não sabiam o que fazer com a liberdade de suas filhas...
Naquele tempo por volta do AI-5. que bania todos direitos constitucionais, a perseguição aos líderes de esquerda e a todos os que  falavam contra a ditadura militar estava no seu auge.
Naquele tempo, eu já me lembro, eu era criança e via as pessoas com medo. Havia um mau estar no ar, havia um mau estar profundo nas pessoas que tinham sonho e nutriam utopias. As pessoas naquele tempo nutriam utopias.
O poeta Ferreira Gullar, que por sua postura política, atividades, idéias e ideais, tinha medo der ser preso e torturado, como tantos foram até a morte, partiu para o exílio, morou em Moscou, Santiago, Lima até chegar a Buenos Aires, onde permaneceria no apartamento de Augusto Boal. Lá, tomado pelo poema por 6 meses, ele escreveu o Poema Sujo. Vinícius de Moraes, traz esta obra para Brasil na forma uma fita cassete em que Gullar diz seu “Poema Sujo” e que é ouvido por grupos de pessoas, em audições privadas.
Ator abrindo a fita e puxando a película: nesta película estão gravadas as palavras do poeta na voz do poeta, as palavras como encantações que vão se perpetuando, os versos...as palavras, que chegaram até nós e foram editadas em forma de livro.


Como equilibrista na corda bamba, como um homem na linha de seu destino, segue a obra de um poeta em sua cultura.
Nos estamos, nesta montagem, revisitando este texto tão querido. Vale dizer que optamos por não fazê-lo na íntegra, mas trabalhar com as partes que mais nos interessaram na sua tradução para a cena. Assim sendo, somos traidores do original. Bom espetáculo!

Paulo Farah André



20 de set. de 2010

primeiros ensaios





Os primeiros ensaios foram realizados seguindo a proposta de lançar as bases que nortearão a pesquisa de linguagem na criação do espetáculo. Na primeira reunião da equipe, dia 23 de Agosto, a leitura foi feita do poema na integra e ouvimos o CD em que Ferreira Gullar o recita marcado o início da caminhada.
Os primeiros contatos com o palco seriam por meio de uma abordagem chamada por nós de sensível. A proposta d  os ensaios de Setembro é de estabelecer as bases para as pesquisas que são os quatro eixos temáticos: As memórias de cada um, o exílio, o poeta e o corpo. Em termos de espaço cênico teremos uma divisão inicial entre o espaço do cotidiano e o espaço do poético.
O tema do primeiro trabalho foi a memória de cada ator/atriz/músico. A intenção foi de trabalhar os mecanismos da lembrança. Como nos lembramos de algo e por quê? Qual o fator que deflagra tal memória? Qual a memória mais remota que cada um tem?
Estas foram algumas das perguntas que conduziram parte do ensaio. Como resultado, o elenco apresentou uma síntese das pesquisas em forma de uma cena em que cada um falava de uma lembrança, intercalados, rompendo a narrativa em momentos interessantes e criando uma dinâmica nas falas.
No segundo ensaio, a proposta foi de trabalhar com o tema “exilado”. Como matéria de suporte para o elenco foi sugerida começaram por lembranças de momentos em que se sentiram longe de casa, sem poder voltar por conta de algum impedimento, com saudades.
Ao final cada ator relatava sua experiência, como um narrador, O exercício revelou a dificuldade de penetrar no sentimento de um exilado, pois do grupo ninguém passou por tal experiência, porém na avaliação do exercício foi muito boa e surgiram novas idéias para pesquisarmos este tema em próximos ensaios. A idéia é, por meio de vivencias e experimentos cênicos, subsidiar o elenco com este sentimento de se estar exilado. Foi sugerida a leitura de  Édipo Rei e Antígone, de Sófocles, que tratam do assunto. A imagem que ficou do ensaio poderia resumir nesta frase:  O exílio como uma prisão pelo lado de fora. Como um coração que pulsa fora do peito.
Para o ensaio seguinte, o elenco deveria trazer de casa um objeto que servisse como uma espécie de portal para a memória. O tema foi lançado com a seguinte pergunta: O que o poeta levou em sua mala poética quando viajou para o exílio? Além dos objetos de uso pessoais, quais objetos estariam imantados por uma lembrança ou um afeto?
No ensaio, cada ator trouxe um objeto. Havia um portal retrato, um caderno de anotações pessoais, uma caixinha de papelão de presente com uma moeda antiga, um porta jóias em forma de baú com um colar. Com os objetos dispostos no palco, os atores experimentavam ora um, ora outro objeto, recolhendo as histórias que cada objeto lhes trazia.
As histórias eram inventadas ou lembradas e recriadas pelo elenco e se misturavam com temas que o Poema Sujo apresenta. Após experimentarem contar um pouco sobre cada uma das histórias recolhidas, cada ator teria quatro histórias, cada história proveniente do contato com um dos objetos. Põem foi solicitado que escolhessem uma delas e a sintetizasse para ser contada.
Ao final eles narravam suas histórias, porém intercalando suas narrativa, criando uma dinâmica que se podia acompanhar cada narrativa. Esta dinâmica nos chamou muito a atenção porque vimos que este poderia ser um indicio do ritmo a ser empregado na encanação do Poema sujo.
O ensaio seguinte teve como tema o corpo. Encerrando a introdução dos quatro eixos temáticos.
O poema de Gullar apresenta ainda em seu início todo um período poético que reflete sobre o corpo. Ao inicio do ensaio fizemos uma leitura desta parte do poema antes de começar os trabalhos de palco. O elenco partiu de um aquecimento físico coordenado pelo Paulinho com bases em técnicas em BMC. O trabalho proposto teve como base a percepção dos ossos como estrutura rígida e permanente do corpo.
Na seqüência, o elenco partiu para improvisações corporais, usando exercícios de contato e improvisação, espelho e campo de visão tendo o cotidiano e o poético como espaços para transitarem. Estes últimos demarcados pela configuração da sala de ensaio. O palco com piso de madeira é o espaço poético e o espaço da platéia de piso frio e plano e o espaço do cotidiano. Para alimentar as cenas de improvisações foram sugeridos os temas insinuados no poema: O corpo como a nossa presença no mundo. A referência física e provável de nossa existência. O espaço que ocupamos no mundo.
No fechamento da experimentação foram sugeridos quatro temas sacados do poema: corpo carne e osso, corpo sangue, corpo barriga pernas e pés, corpo-falo. Cada ator improvisava uma cena com seu tema. Ficou claro nas cenas que a presença do ator preponderava na ação.
O fechamento do ciclo inicial dos trabalhos se fechou neste dia, as reflexões que o último trabalho levantou serviram de aporte para trazermos os temas vividos nos outros ensaios. A síntese sugere uma relação com os planos de ações que para a construção da linguagem do espetáculo: o plano do ator, o plano do poeta e o plano da lembrança.
O plano do ator estaria ligado ao cotidiano, o plano do poeta ligado aos acontecimentos da época, aos fatos que o levaram ao exílio e o plano da lembrança é todo o processo de memórias e reflexões que tal situação deflagra no poeta, estas imagens estariam sugeridas pelas turvas sombras da memória.


Por Wilton Amorim


Sobre o Poeta por ele mesmo

Traduzir-se 
de Ferreira Gullar
                  
Uma parte de mim
                    é todo mundo:
                    outra parte é ninguém:
                    fundo sem fundo.                  
Uma parte de mim
                    é multidão:
                    outra parte estranheza
                    e solidão.                  
Uma parte de mim
                    pesa, pondera:
                    outra parte
                    delira. 
                    Uma parte de mim
                    almoça e janta:
                    outra parte
                    se espanta.                  
Uma parte de mim
                    é permanente:
                    outra parte
                    se sabe de repente.                  
Uma parte de mim
                    é só vertigem:
                    outra parte,
                    linguagem.                 
Traduzir uma parte
                    na outra parte
                    – que é uma questão
                       de vida ou morte -
                       será arte?

16 de set. de 2010

O início do projeto

Poema sujo corpo e voz é fruto de um sonho. Paulinho gosta muito do poema e o estuda já faz algum tempo. O desejo de levar esta importante obra poética para o palco nos fez escrever o projeto em Março e começar os preparativos para a montagem.
Em Abril, Paulinho foi até o Rio de Janeiro e pediu a autorização de Ferreira Gullar para a nossa montagem. Ele tão prontamente nos atendeu e pudemos enviar o projeto para editais públicos para a captação de recursos.
Em Agosto, quando demos início aos trabalhos de leitura e palco, vieram boas notícias: o projeto foi contemplado com o edital da Secretaria de Estado da Cultura PROAC nº1 para montagem de espetáculo inédito. 
Começamos a caminhada e a cada dia, a cada verso nos deparamos com descobertas que nos fascinam cada vez mais esta obra literária. 
Parafraseando o poeta: existe muitos versos em um verso.