Faculdade Cásper Líbero
Comunicação Comparada – Profº Luiz Mauro
Bruna Moraes – 2ºJoC
Versos da obra prima de Ferreira Gullar sobem ao palco
A Salamandra Companhia de Teatro apresenta, no bimestre dedicado à poesia contemporânea da Casa das Rosas, a peça “Poema Sujo – Corpo e Voz”, em cartaz até dia 30 de abril. Os espetáculos acontecem aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 17h.
A montagem narra as lembranças e reflexões do poeta Ferreira Gullar sobre sua infância e adolescência, na cidade de São Luiz, na década de 1940. O texto foi escrito na época em que ele esteve exilado na Argentina, nos anos 1970.
O cenário simples e o elenco reduzido subestimam a qualidade da produção. Paulo Farah e Wagner Freire emprestam seus corpos e vozes a Gullar, enquanto Mônica Huambo e Nei Silva são os músicos responsáveis pela parte sonora, sem deixar de entrar em cena.
A trilha executada ao vivo é um dos pontos fortes do espetáculo. Intrometendo-se entre as cenas, com composições próprias inspiradas no Poema Sujo, a música dá a intensidade que o denso texto exige.
“A música ao vivo vem da formação do nosso grupo, dá mais dinamicidade à cena, é um diferencial”, conta Wilton Amorim, diretor do espetáculo e um dos fundadores da Salamandra Companhia de Teatro.
A opinião é endossada por Paulo Farah, ao lado de quem Amorim adaptou o poema para os palcos. Os dois ministraram, no início de abril, uma oficina literária em que ensinavam as técnicas para transformação de textos poéticos em teatro.
Ultimamente estão surgindo mais apresentações desse gênero, que pelo ritmo se aproxima bastante do teatro épico. Segundo Farah, a ausência de confrontos nos textos poéticos é o maior desafio de uma adaptação desse tipo.
“O Poema Sujo, por exemplo, não tem um roteiro com conflito, isso é um problema. Aqui só tem a história dele, misturada em cenas difusas”, esclareceu o ator.
Em cena, dois atores representam do eu-lírico. De acordo com Farah, no início, a intenção era a divisão entre o passado e o presente do poeta, mas no final os tempos acabaram misturando-se entre os atores.
Já para Amorim, a dualidade é explicada pelo gênero lírico, onde um só ser tem que representar vários papéis e o “eu - poeta” também tem que trocar de máscara para enfrentar o cotidiano.
No cenário, painéis com cortinas são utilizados para projetar sombras. Embora produzido de forma simples, o resultado provoca uma sensação intensa na plateia. É como se víssemos, em cena, um encontro entre passado e presente.
Na hora da apresentação, a “Sala Um“ da Casa das Rosas é divida ao meio, e a parte que cabe à plateia é formada por apenas 21 cadeiras de plástico. No domingo, 03 de abril, apenas quatro estavam ocupadas.
O preço do ingresso não chega a ser popular, R$ 20,00 a inteira, estudantes e idosos pagam meia, mas também não alcança o patamar das apresentações comercias. Falha na divulgação ou desinteresse do grande público por poesia e cultura podem ser as explicações para o vazio.